Mundo
"Grandes mentiras". Irão rejeita acusações de Trump sobre programa nuclear
Teerão classificou como "grandes mentiras" as afirmações dos EUA sobre o programa nuclear iraniano, depois de o presidente Donald Trump afirmar, no discurso sobre o Estado da União na madrugada desta quarta-feira, que Teerão está a desenvolver mísseis capazes de atingir território americano.
"Qualquer alegação sobre o programa nuclear iraniano, os seus mísseis balísticos e o número de vítimas durante os distúrbios de janeiro é simplesmente a repetição de grandes mentiras", disse o porta-voz do Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, Ismail Baghai.
O diplomata comparou as declarações dos Estados Unidos e de Israel sobre o programa nuclear iraniano com a máxima do ministro da Propaganda da Alemanha nazi, Joseph Goebbels, de que, se uma mentira for repetida muitas vezes, torna-se verdade.
"Esta lei é utilizada sistematicamente pelo Governo dos Estados Unidos e pelos especuladores da guerra que rodeiam os EUA, em particular o regime genocida israelita, para impulsionar a sua sinistra campanha de desinformação contra a nação iraniana", afirmou Baghai.
"Ninguém deve deixar enganar-se por essas falsidades proeminentes", continuou o diplomata iraniano, que escreveu a mensagem em persa, inglês, francês, espanhol e árabe, algo pouco habitual.
"Tudo isto depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que o Irão estava a trabalhar no desenvolvimento de mísseis capazes de atingir o território continental dos EUA", acrescentou Baghai.
No seu longo discurso sobre o Estado da União, na madrugada desta quarta-feira, Trump acusou os líderes iranianos de continuarem “neste preciso momento a perseguir as suas sinistras ambições” de desenvolver uma arma nuclear e reiterou que Teerão nunca terá permissão para desenvolver estas armas.
"Eles foram avisados para não tentarem reconstruir o seu programa de armas, em particular as nucleares. No entanto, continuam a começar do zero", afirmou. O Irão tem declarado repetidamente que não procura adquirir armas nucleares e que o seu programa nuclear tem fins pacíficos, insistindo no seu direito de utilizar a tecnologia nuclear para fins civis.
O dirigente dos Estados Unidos invocou a operação “Midnight Hammer”, quando, em 22 de junho de 2025, atacou as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan, para lembrar que os Estados Unidos já atuaram contra o programa iraniano.
Numa entrevista ao canal qatari Al Jazeera, em fevereiro, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou que Teerão não tinha capacidade para atingir os Estados Unidos, mas que atacaria as bases norte-americanas no Médio Oriente caso Washington lançasse ataques contra o país.
Atualmente, os Estados Unidos concentram no Médio Oriente, em particular, no Golfo Pérsico, a maior presença de forças desde 2003, incluindo dois grupos de porta-aviões - USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, o maior dos porta-aviões norte-americanos, vários contratorpedeiros e dezenas de caças de combate - e milhares de tropas. O trânsito da força aérea dos Estados Unidos pela Base das Lages, nos Açores, registou igualmente níveis históricos nos últimos dias.
Os argumentos de Trump
No seu discurso sobre o Estado da União ao Congresso, o presidente dos EUA apresentou os seus argumentos para um possível ataque ao Irão, afirmando que não permitiria que “o maior patrocinador do terrorismo no mundo” possuísse uma arma nuclear. Ao mesmo tempo, Trump disse que preferia resolver as divergências com Teerão através da diplomacia. Trump apontou o apoio de Teerão aos grupos militantes, o assassinato de manifestantes e os programas nucleares e de mísseis do país como ameaças à região e aos Estados Unidos.
"O regime [iraniano] e os seus representantes assassinos não espalharam nada além de terrorismo, morte e ódio", disse o presidente republicano cerca de 90 minutos após o início do seu discurso anual perante uma sessão conjunta do Senado e da Câmara dos Representantes.
Trump acusou o Irão de ter reiniciado o seu programa nuclear, de estar a trabalhar na construção de mísseis que "em breve" seriam capazes de atingir os Estados Unidos e de ser responsável por atentados bombistas em estradas que mataram militares e civis norte-americanos.
O presidente norte-americano expressou ainda a sua frustração com a incapacidade dos negociadores em chegar a um acordo. "Querem fazer um acordo, mas não ouvimos aquelas palavras secretas: 'Nunca teremos uma arma nuclear'", disse Trump no seu discurso.
O presidente norte-americano Trump não chegou, contudo, a apresentar uma descrição completa do seu objetivo estratégico ao ameaçar Teerão com a guerra.
Trump afirmou ainda que as autoridades iranianas mataram 32 mil pessoas na repressão de uma onda de protestos sem precedentes que culminou nos dias 8 e 9 de janeiro. As autoridades iranianas reconhecem mais de três mil mortes nos protestos, mas atribuem a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
c/agências
O diplomata comparou as declarações dos Estados Unidos e de Israel sobre o programa nuclear iraniano com a máxima do ministro da Propaganda da Alemanha nazi, Joseph Goebbels, de que, se uma mentira for repetida muitas vezes, torna-se verdade.
"Esta lei é utilizada sistematicamente pelo Governo dos Estados Unidos e pelos especuladores da guerra que rodeiam os EUA, em particular o regime genocida israelita, para impulsionar a sua sinistra campanha de desinformação contra a nação iraniana", afirmou Baghai.
Professional liars are good at creating the 'illusion of truth.'
— Esmaeil Baqaei (@IRIMFA_SPOX) February 25, 2026
"Repeat a lie often enough and it becomes the truth”, is a law of propaganda coined by Nazi Joseph Goebbels. This is now systematically used by the U.S. administration and the war profiteers encircling it,…
"Ninguém deve deixar enganar-se por essas falsidades proeminentes", continuou o diplomata iraniano, que escreveu a mensagem em persa, inglês, francês, espanhol e árabe, algo pouco habitual.
"Tudo isto depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que o Irão estava a trabalhar no desenvolvimento de mísseis capazes de atingir o território continental dos EUA", acrescentou Baghai.
No seu longo discurso sobre o Estado da União, na madrugada desta quarta-feira, Trump acusou os líderes iranianos de continuarem “neste preciso momento a perseguir as suas sinistras ambições” de desenvolver uma arma nuclear e reiterou que Teerão nunca terá permissão para desenvolver estas armas.
"Eles foram avisados para não tentarem reconstruir o seu programa de armas, em particular as nucleares. No entanto, continuam a começar do zero", afirmou. O Irão tem declarado repetidamente que não procura adquirir armas nucleares e que o seu programa nuclear tem fins pacíficos, insistindo no seu direito de utilizar a tecnologia nuclear para fins civis.
O dirigente dos Estados Unidos invocou a operação “Midnight Hammer”, quando, em 22 de junho de 2025, atacou as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan, para lembrar que os Estados Unidos já atuaram contra o programa iraniano.
Numa entrevista ao canal qatari Al Jazeera, em fevereiro, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou que Teerão não tinha capacidade para atingir os Estados Unidos, mas que atacaria as bases norte-americanas no Médio Oriente caso Washington lançasse ataques contra o país.
Atualmente, os Estados Unidos concentram no Médio Oriente, em particular, no Golfo Pérsico, a maior presença de forças desde 2003, incluindo dois grupos de porta-aviões - USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, o maior dos porta-aviões norte-americanos, vários contratorpedeiros e dezenas de caças de combate - e milhares de tropas. O trânsito da força aérea dos Estados Unidos pela Base das Lages, nos Açores, registou igualmente níveis históricos nos últimos dias.
Os argumentos de Trump
No seu discurso sobre o Estado da União ao Congresso, o presidente dos EUA apresentou os seus argumentos para um possível ataque ao Irão, afirmando que não permitiria que “o maior patrocinador do terrorismo no mundo” possuísse uma arma nuclear. Ao mesmo tempo, Trump disse que preferia resolver as divergências com Teerão através da diplomacia. Trump apontou o apoio de Teerão aos grupos militantes, o assassinato de manifestantes e os programas nucleares e de mísseis do país como ameaças à região e aos Estados Unidos.
"O regime [iraniano] e os seus representantes assassinos não espalharam nada além de terrorismo, morte e ódio", disse o presidente republicano cerca de 90 minutos após o início do seu discurso anual perante uma sessão conjunta do Senado e da Câmara dos Representantes.
Trump acusou o Irão de ter reiniciado o seu programa nuclear, de estar a trabalhar na construção de mísseis que "em breve" seriam capazes de atingir os Estados Unidos e de ser responsável por atentados bombistas em estradas que mataram militares e civis norte-americanos.
O presidente norte-americano expressou ainda a sua frustração com a incapacidade dos negociadores em chegar a um acordo. "Querem fazer um acordo, mas não ouvimos aquelas palavras secretas: 'Nunca teremos uma arma nuclear'", disse Trump no seu discurso.
O presidente norte-americano Trump não chegou, contudo, a apresentar uma descrição completa do seu objetivo estratégico ao ameaçar Teerão com a guerra.
Trump afirmou ainda que as autoridades iranianas mataram 32 mil pessoas na repressão de uma onda de protestos sem precedentes que culminou nos dias 8 e 9 de janeiro. As autoridades iranianas reconhecem mais de três mil mortes nos protestos, mas atribuem a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
c/agências